Morango em hidroponia vertical

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A cultura do morango é, talvez, a planta frutífera que mais se adaptou ao cultivo fora do solo. Por ser muito sensível a pragas e doenças, quando cultivada de forma suspensa se torna mais protegida de tais inconvenientes. Mas não foi exatamente essa vantagem que motivou uma corrida pela substituição do cultivo feito tradicionalmente no solo para as bancadas ou sacolas suspensas.
Aqui no Brasil, o excesso de leis emitidas sistematicamente em todas as esferas imagináveis, fragilizou ainda mais o meio rural. Mão de obra e familiares jovens correram para as cidades. Assim, a cultura do morango, que exige muita mão de obra, tornou-se mais inviável a campo.
A saída tem sido reduzir a área de cultivo, sem perder muito em produção e, em especial, com a finalidade de reduzir a mão de obra. Ora, o cultivo suspenso atendeu exatamente esta questão. Por consequência, as vantagens foram mais longe ainda: o cultivo suspenso proporciona mais ergonomia e conforto ao trabalhador. Pronto, esses três fatores juntos (espaço, mão de obra e ergonomia) explica a atual e forte substituição do cultivo do morango no solo para fora dele (suspenso).

Evolução do sistema

Nessa migração, o mais comum é o produtor adotar o sistema de sacolas (travesseiros ou bags), utilizando misturas de substrato contendo uma porcentagem significativa de húmus e irrigados com solução nutritiva hidropônica. Este sistema tem sido denominado de semi-hidropônico. Outros produtores já partem direto para o sistema hidropônico, o qual requer substratos inertes e, assim, dependem de serem irrigados com solução nutritiva hidropônica.
Mas, por falar em cultivo suspenso, fora do solo, vale salientar que há uma diferença entre cultivo suspenso e vertical. Por exemplo, o cultivo hidropônico vertical é um cultivo suspenso. Mas nem todo cultivo suspenso é vertical.

 Como funciona

O cultivo hidropônico vertical desperta muito interesse no caso do morango. Imagine uma hortaliça de fruto sendo plantada em grande quantidade na mesma área. Seu pequeno porte proporciona essa façanha.
Como a sacola é colocada na posição vertical, é possível inserir duas a três vezes mais plantas por área. Mas, também, essa é a única vantagem que vejo em relação ao sistema suspenso horizontal. E, sem dúvida, uma grande vantagem!
Como o sistema de irrigação é disposto na vertical, a vazão tende a ser maior na base da sacola, onde a pressão é maior. Essa desvantagem pode ser contornada utilizando um gotejador autocompensante. Esses gotejadores têm um dispositivo simples, a base de silicone. Um anel de silicone envolve internamente o orifício de saída. Se a pressão é excessiva o silicone se contrai (é espremido) de modo que reduz a passagem da água. Se a pressão é baixa o anel de silicone relaxa, liberando mais espaço para a passagem da água. Assim, independente da pressão, a vazão permanece constante ao longo de todo o comprimento da mangueira gotejadora.

Obstáculos a serem superados

Outro contratempo desse sistema hidropônico vertical é que as plantas de baixo ficam mais próximas do solo, ou seja, mais sujeitas aos insetos e menos ergonômico para o trabalhador. Uma alternativa, para quem se incomoda com isso, é reduzir pelo menos uma fileira de planta, ou seja, evitar o plantio próximo à base da sacola, mesmo que isto signifique redução de produção.
Finalmente, tem outro inconveniente: conforme a posição do sol, a face sombreada da sacola estará sem iluminação direta. Lembrando que a luz é que alavanca a fotossíntese, fator fundamental para a planta fabricar sua própria energia (açúcar). A utilização de piso branco ou aluminado brilhante ajuda a minimizar esse problema. Se for possível instalar um sistema para rotacionar as sacolas, seria uma medida incrivelmente funcional. Essa rotação poderia ser lenta e contínua, ou pausada a cada três ou cinco ou 10 minutos. O tempo mais adequado eu não tenho conhecimento hoje.

Detalhes que fazem a diferença

Sabendo que o morango é uma das plantas mais complicadas do planeta para cultivar, é interessante conhecer detalhes da fruta. O que for atendido em suas necessidades, ela responde positivamente. E o contrário é válido também.
O que se sabe sobre o sistema radicular do morango é que é extremante exigente em umidade. Essa questão de irrigar e depois deixar um tempo onde a umidade junto a raiz diminui não tem perdão. A planta responderá negativamente, pois as raízes não toleram EC (condutividade elétrica) elevada.

Essa matéria completa você encontra na edição de março 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. 

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