Campo Grande pode se tornar a primeira cidade do País a montar e a comercializar carros elétricos, que são mais baratos, econômicos e ecologicamente corretos. Empresários da Brave-Brasil Veículos Elétricos estiveram na capital discutindo a possibilidade de construir unidades em solo sul-mato-grossense. Em um primeiro momento, a montadora de veículos se instalaria em Campo Grande e depois seria aberta uma filial da empresa na fronteira com o Paraguai para a produção de baterias.

Os veículos fabricados pela Brave poderiam atender tanto a iniciativa privada quanto a pública. O empresário explica que Brave produz veículos com tecnologia nacional, toda a parte de peças automotivas do mercado nacional, assim como a gestão de cargas das baterias e motores. “Um grupo de inovação estudou o mercado para chegar a um conjunto de soluções. Inclusive com garagens fotovoltaicas para carregar esses veículos elétricos, o que deixa o gasto com combustível até 8 vezes mais barato se comparado com o gasto com gasolina”, explicou.

Esforço conjunto entre o deputado estadual Paulo Corrêa, presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio da Assembleia e a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), pode tornar o projeto uma realidade. Paulo Corrêa recebeu a visita na Assembleia, esta semana, do Engenheiro de Produtos da BRAVE ELECTRO (Brasil Veículos Elétricos), empresário Neriberto Pamplona, para discutir a possível vinda de montadora para Mato Grosso do Sul.

Houve também uma reunião entre empresários da BRAVE, o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck e o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

A Fiems assumiu o compromisso de ajudar esse empreendimento, inclusive com o SENAI, enquanto a Comissão de Indústria e Comércio da Assembleia vai colaborar para facilitar o acesso da Brave Brasil às ferramentas necessárias, como, por exemplo, o financiamento via FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), que tem uma linha de crédito específico para novas tecnologias.

Neriberto Pamplona afirmou que caso a proposta seja aceita pela prefeitura e pelo Governo do Estado, o prazo para que os primeiros carros fiquem prontos é de apenas 60 dias após a instalação da montadora, e explicou porque escolheu Mato Grosso do Sul para apresentar o projeto.

“Por causa da força política, empresarial e industrial, que tem se mostrado arrojada em projetos de inovação tecnológica, energia renováveis de sustentabilidade, demonstrando grande esforço em desenvolver novos polos industriais. Haja visto os investimentos na modernização da FIEMS, SENAI, FATEC, etc. Outro ponto seria a iniciativa e apoio a geração fotovoltaica em Mato Grosso do Sul e a boa articulação entre o poder público e indústria. A nossa produção média será de 100 a 200 veículos por mês, entre micro-ônibus voltados para o turismo, para mobilidade em locais como resorts, parques, aeroportos e condomínios de alto padrão, city tours, que na Europa já é muito utilizado. Temos também uma caminhonete para capacidade de 700 quilos, para entregas, e um BR Cross, para quatro pessoas usarem em circuitos urbanos, e outro para duas pessoas que pode ser usado para entregas”

A proposta inicial é instalar a montadora de carros elétricos em Campo Grande. Mas, de acordo com o empresário, todas as peças serão produzidas por parceiros nacionais, que podem também ter interesse em se instalar na Capital ou no interior do Estado.

“A implantação da montadora BRAVE no Estado vai mobilizar a cadeia produtiva no entorno da montadora”.

Já o empresário Humberto Silva destacou que o objetivo é trazer para MS uma solução inovadora e tecnológica na área de mobilidade elétrica e energias renováveis.

“O formato seria trazer o aporte tecnológico e darmos todo o apoio para instalação dessa base industrial, que movimentaria toda a cadeia produtiva do Estado em uma parceria com a Fiems, Governo do Estado e prefeituras para se criar veículos elétricos que atenderiam a iniciativa pública e privada. A Brave produz esses veículos com tecnologia nacional, toda a parte de peças automotivas do mercado nacional, assim como a gestão de cargas das baterias, motores e tudo isso coordenado por esse grupo de inovação, que estudou o mercado para chegar a um conjunto de soluções. Inclusive com garagens fotovoltaicas para carregar esses veículos elétricos, o que deixa o gasto com combustível até 8 vezes mais barato se comparado com o gasto com gasolina”, explicou.

A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS) participa das articulações. O presidente da entidade Sérgio Longen explica que os empresários entendem que Mato Grosso do Sul oferece totais condições para abrigar o empreendimento, pois tem a segurança jurídica necessária para que a Brave-Brasil possa produzir sem problemas.

Brasil

Atualmente no Brasil, apenas a BMW e a Porsche comercializam carros elétricos, que são importados. O País é considerado atrasado em relação aos outros que já aderiram aos “carros verdes”, como são chamados os elétricos. Mas, a procura tem aumentado, sendo que em 2016 foram comercializados 1091 veículos elétricos ou híbridos, contra 1452 somente no primeiro semestre de 2017.

Mundo

O fim dos carros a combustão é uma mudança que há pouco tempo parecia estar muito longe da realidade, mas que vem se tornando uma tendência mundial. Somente este ano, França e Reino Unido já anunciaram que vão banir esse tipo de automóvel e iniciaram a fase de transição, que deve demorar cerca de 20 anos. Índia e Noruega também tomaram a mesma decisão, mas iniciaram gradualmente a troca e pretendem banir os carros a combustão já a partir de 2025.

E, uma das marcas mais conhecidas no Brasil, a Volvo também se adiantou em aceitar o fim dos carros à combustão e anunciou, em julho, que a partir de 2019 só irá produzir carros elétricos e híbridos, com previsão de lançar, a partir dessa data, cinco novos veículos elétricos e atingir a marca de 1 milhão de veículos elétricos comercializados até 2025.

Embora pareça ser um processo lento e trabalhoso, a troca por carros elétricos e híbridos pode acontecer muito antes do que se imagina, uma vez que os governos necessitam atender metas de combate à poluição, o que vai contra a fabricação de carros a combustão.

 

Fonte: Topmidianews

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