O nascimento dos átomos que formam você foi muito mais divertido do que o seu: simulações de computador feitas na Northwestern University, nos EUA,revelam que metade de todo o material da Via Láctea (e, portanto, do seu corpo) não foi fabricado por aqui – mas forjado no núcleo de imensas estrelas de galáxias vizinhas, e então expelido para cá em explosões monumentais. A descoberta vai na contramão das teorias vigentes, que até então não consideravam esse troca-troca de material uma parte tão relevante da formação de aglomerados de estrelas.

Funciona assim: galáxias de grande porte como a Via Láctea, com algo entre 100 mil e 180 mil anos-luz de diâmetro, são cercadas de satélites – às vezes chamados de galáxias-anãs. Eles são algomerados de estrelas menores que o nosso, mas de maneira alguma pequenos. A Grande Nuvem de Magalhães (LMC), por exemplo, tem 14 mil anos-luz de diâmetro. Sua irmã menor, a Pequena Nuvem de Magalhães, tem exatamente metade do tamanho e 7 bilhões de vezes a massa do Sol.

Às vezes uma estrela de grande porte que “mora” em uma dessas pequenas galáxias chega ao final do seu ciclo de vida. E então ela explode. O fenômeno está muito além do que um ser humano pode imaginar: arremessa trilhões de toneladas de gás com tanta violência que esse material consegue escapar da atração gravitacional de seu aglomerado de origem e acaba “caindo” na galáxia mãe, muito maior.

Por meio desse processo, todo ano a Via Láctea ganha o equivalente à massa de um Sol. Parece pouco – e realmente não é muita coisa na escala cósmica. Mas multiplique isso pelos 13 bilhões de anos que se passaram desde que tudo começou e a conta começa a fazer sentido.

Fonte: SuperInteressante

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