Esta matéria trata-se de um resumo, embora longo, de tudo o que há sobre o estado de Mato Grosso do Sul, com informações históricas e atuais sobre o nosso querido Estado. Embarque nessa viagem, aqui a planície encontra o planalto. O cerrado, berço das águas, deságua na maior planície alagável do planeta, o pantanal. O resultado desse encontro é um ambiente farto de cultura e riquezas naturais, riquezas que devem ser respeitadas, resgatadas e/ou preservadas.

Terra do tereré e do pantanal sul. Terra dos índios, das onças e jacarés. Terra dos ipês, tuiuiús e araras azuis. Terra decente, terra da nossa gente!
Saiba mais sobre o Mato Grosso do Sul !

 Cultura

Mato Grosso do Sul, localizado no coração da América do Sul, é o estado do Brasil a fazer divisa com outros cinco estados (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná) e dois países (Paraguai e Bolívia). De posição estratégica, apresenta características histórico geográficas e socioculturais, que o distingue dos demais estados brasileiros.

Por suas divisas e fronteiras vários povos adentraram, trazendo sua cultura e seus saberes. Desse contato, emergiu de forma singular, uma cultura híbrida, indígena, fronteiriça e transculturada, resultando em uma diversidade que merece proposições de programas voltados a atender às várias matrizes que compõem essa malha cultural, considerando o passado, presente e futuro.

É indiscutível que por meio da cultura e de ações culturais, promove-se a integração, a educação e a inclusão das pessoas do lugar, além do bem estar. Desse modo, o Programa Cultura MS proposto pelo Governo do Estado objetiva promover o desenvolvimento humano, social e econômico, institucionalizando um processo de gestão cultural democrática e permanente entre sociedade e poder público, de forma a valorizar e praticar a cultura nas três dimensões: simbólica, cidadã e econômica.

Há um acúmulo de discussões e debates que vem sendo feitos nos últimos trinta anos em Mato Grosso do Sul entre o poder público e a sociedade civil no entendimento, formulação e vivências de políticas para a área cultural.  Em 2.013, a elaboração da Lei do Sistema Estadual de Cultura – (SIEC/MS) e o Plano Estadual de Cultura (PEC/MS), contribuiu para consolidar ainda mais conceitos, proposições e contribuições coletivas diversas.

Atualmente, com o estímulo à formação e fortalecimento dos Colegiados Setoriais Estaduais, amplia-se a participação e democratização das instâncias de formulação, acompanhamento e avaliação  da políticas culturais.  Desse modo, é trabalhado para que o Mato Grosso do Sul promova o respeito à diversidade e assegure de forma democrática e permanente os direitos culturais de todos.

É sabido que a cultura reflete o modo de ser, pensar e agir de uma sociedade.  Cada qual tem sua identidade, seus valores e modos próprios de expressão.  Uma das riquezas do mundo moderno reside no reconhecimento e valorização da diversidade cultural que o compõe. O território sul-mato-grossense tem uma pluralidade cultural advinda da formação de sua malha social que, apesar de valiosa, é ainda pouco reconhecida, valorizada, protegida e difundida.

Compreendendo a cultura a partir da ótica dos direitos e liberdades do cidadão, sendo o Estado um instrumento para efetivação desses direitos e garantia de igualdade de condições, é buscado mecanismos para que o acesso à cultura se expanda e com ele o fomento às artes se amplie, estimulando a  reflexão, formação, criação, produção, crítica, circulação, promoção, difusão, intercâmbio, troca de saberes e fazeres, cooperação, consumo, registro, documentação e memória.

É trabalhado para que a presença da arte e da cultura esteja nos mais diversos ambientes sociais, especialmente no ambiente  educacional, colaborando e aprofundando o processo de integração estadual, absorvendo os recursos tecnológicos, garantindo as conexões locais com os fluxos culturais contemporâneos e centros culturais regionais, nacionais e internacionais. E acima de tudo, trabalhamos para consolidar uma política pública para a cultura de forma transparente, democrática e participativa.

O Mato Grosso do Sul tem um patrimônio histórico artístico, material e imaterial extraordinário, proveniente de uma região historicamente com influências diversas que formaram e formam sua identidade cultural. Proteger e promover tal patrimônio torna-se cada vez mais necessário na afirmação da riqueza e singularidade da região pantaneira, de natureza exuberante e generosa, dos saberes populares, terra dos povos indígenas, palco da Guerra do Paraguai,  da peculiaridade da miscigenação cultural fronteiriça, um vasto universo de valores tangíveis e intangíveis.

Urge que esse patrimônio seja cada vez mais reconhecido, preservado e difundido, permitindo a todos o cultivo da memória comum, da história, dos testemunhos do passado, para que a população se reconheça no presente e avance com humanidade.

Obra de Wander Melo Ilustra a Pesca dos Tuiuiús

Geologia e Relevo

A estrutura geológica de Mato Grosso do Sul é formada por três unidades geotectônicas distintas: a plataforma amazônica, o cinturão metamórfico Paraguai-Araguaia e a bacia sedimentar do Paraná. Sobre essas unidades visualizam-se dois conjuntos estruturais: o primeiro, mais antigo, com dobras e falhas, está localizado em terrenos precambrianos, já o segundo, em terrenos fanerozóicos, na bacia sedimentar do Paraná.

Não ocorrem grandes altitudes nas duas principais formações montanhosas, as serras da Bodoquena e de Maracaju, que formam os divisores de águas das bacias do Paraguai e do Paraná. As altitudes médias do Estado ficam entre 200 e 600m.

O planalto da bacia do Paraná ocupa toda a porção Leste de Mato Grosso do Sul. Constitui a projeção do planalto Meridional, grande unidade de relevo que domina a região Sul do país. Apresenta extensas superfícies planas, com 400m a 1.000 metros de altitude.

A baixada do rio Paraguai domina a região Oeste, com rupturas de declives ou relevos residuais, representados por escarpas (ladeiras íngremes) e morrarias (série de morros).

Sua maior porção é formada por uma planície aluvial sujeita a inundações periódicas, a planície do Pantanal, cujas altitudes oscilam entre 100 e 200 metros. Em meio à planície do Pantanal ocorrem alguns maciços isolados, como o de Urucum, com 1.160 metros de altitude, próximo à cidade de Corumbá.

As migrações de contingentes oriundos dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo foram fundamentais para o povoamento de Mato Grosso do Sul e marcaram a fisionomia da região. Essa área era a mais povoada do antigo estado do Mato Grosso, com uma densidade demográfica bastante alta no planalto da bacia do rio Paraná, onde ocorrem solos de terra roxa com topografia regular.

Ao ser constituído, no final da década de 1.970, o Estado contava com uma densidade média de 3,9 habitantes por quilômetro quadrado. Alguns municípios chegavam a ter mais de cinqüenta habitantes por quilômetro quadrado, em contraste com o norte (atual Mato Grosso), praticamente vazio. Além da Capital, as cidades principais são Dourados e Corumbá. Vivem no Estado vários grupos indígenas, lutando para reconquistar os espaços que sempre povoaram e que agora sofrem graves danos pela pecuária extensiva e monocultura de grãos.

Clima

Na maior parte do território do Estado predomina o clima do tipo tropical, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias termométricas que variam entre 26°C na baixada do Paraguai e 23°C no Planalto. A pluviosidade é de aproximadamente 1.500mm anuais.
No extremo meridional ocorre o clima tropical de altitude, em virtude de uma latitude um pouco mais elevada e do relevo de planalto. A média térmica é pouco superior a 20°C, com queda abaixo de 18°C no mês mais frio do ano.

 

Vegetação

Os cerrados recobrem a maior parte de Mato Grosso do Sul. Na planície aluvial do Pantanal surge o chamado Complexo do Pantanal, revestimento vegetal em que se combinam cerrados e campos, com predominância da vegetação de campos. Os campos, que constituem cinco por cento da vegetação do Estado, ocupam ainda uma pequena área na região de Campo Grande. No Mato Grosso do Sul também possui resquícios de mata atlântica, considerada a floresta atlantica mais distante do oceano, localizada em uma zona de transição com o cerrado e pantanal, mais especificamente no Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

Hidrografia

O território estadual é drenado pelos sistemas dos rios Paraná (principais afluentes: Sucuriú, Verde, Pardo e Ivinhema), a Leste, e Paraguai (principal afluente: Miranda), a Oeste. Pelo Paraguai escoam as águas da planície do Pantanal e terrenos periféricos. Na baixada produzem-se anualmente inundações de longa duração.

 

 

História

Mato Grosso do Sul foi emancipado pela Lei complementar nº 31, de 11 de outubro de 1.977.

A autonomia político administrativa do Estado é a culminância de longa campanha autonomista iniciada com as revoluções coronelistas nos Campos de Vacaria e nos ervais sul-mato-grossenses. O Estado é constituído de municípios cuja origem está ligada aos tempos coloniais, tais como Corumbá, Miranda, Nioaque e Coxim; ao século XIX, como Paranaíba, outros do século XX e aqueles que foram emancipados em decorrência de sua criação.

A conquista e colonização pelos europeus (espanhóis e portugueses) do atual território sul-mato-grossense perpassou pela disputa das terras do Novo Mundo: os portugueses estabeleceram-se no litoral do Atlântico até São Vicente; os espanhóis mais ao Sul, na região Platina e no litoral do Pacífico. A partir do rio da Prata, os exploradores espanhóis, na busca das minas de prata, fundaram Buenos Aires. A partir daí chegaram aos rios Paraná e Paraguai, onde fundaram Assunção. Os castelhanos fundaram as Missões Jesuíticas de Guairá e Itatim. Os núcleos de ocupação tinham a finalidade de servir de apoio para abastecimento das expedições e de garantir a posse da terra conquistada.

A descoberta de ouro em Cuiabá, em 1.719, levou os portugueses a conquistar o vale do rio Paraguai, fundando fortes e presídios, visando impedir o avanço espanhol às minas de ouro. Em 1.723, os portugueses conquistaram a fazenda Camapuã, outrora uma missão jesuítica espanhola, com a finalidade de apoiar as viagens dos monçoeiros. Essa rota se estendia da foz do rio Pardo, no rio Paraná, até o rio Cuiabá e ficou conhecida como Rota das Monções.

Devido à ausência de metais preciosos, o governo da então província de Mato Grosso negligenciava na assistência e na defesa das vilas e cidades sul-mato-grossenses, situadas no vale do rio Paraguai. A consolidação da presença dos descendentes dos portugueses em território sul-mato-grossense foi definida com o Tratado de Paz e Amizade Perpétua, assinado entre Brasil e Paraguai em 1.872.

Na República Velha, os fazendeiros dos ervais e Campos de Vacaria reivindicavam do governo estadual o título de propriedade de suas fazendas. Por outro lado, a Companhia Matte Laranjeira mantinha o monopólio da exploração da erva mate e tinha alguns privilégios que impediam que fazendeiros se instalassem na região dos ervais.

A construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil e a regularização das viagens ferroviárias propiciaram a fundação de cidades e o desenvolvimento de outras. A região sul-mato-grossense tornou-se o principal centro econômico, responsável por mais de 75% da arrecadação de Mato Grosso.

As oposições políticas, do período caracterizaram-se por confrontos armados, nos quais as oligarquias envolvidas defendiam seus interesses econômicos e políticos. As revoluções coronelistas marcaram o início de uma longa campanha pela emancipação político administrativa do estado de Mato Grosso do Sul.

Em seu programa de integração e segurança nacional, Getúlio Vargas reestruturou o exército criando novas unidades militares e elevou a Circunscrição Militar para 9ª Região, criou o destacamento de Base Aérea em Campo Grande, mandou construir o aeroporto internacional, aparelhou o porto de Corumbá e retomou a construção da estrada de ferro para Ponta Porã.

Em 13 de setembro de 1.943, Getúlio Vargas criou o Território de Ponta Porã e não inclui Campo Grande, a principal cidade autonomista nessa unidade federativa. Essas ações do governo proporcionaram prosperidade, todavia cercearam as tentativas de emancipação político administrativa da região sul-mato-grossense.

Em 1.945, Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência da República e reforçou a política de integração nacional, incentivadora da manutenção da unidade estadual. Em 1.946, após a promulgação da Constituição, o governo federal extingue o Território de Ponta Porã, reintegrando a região ao estado de Mato Grosso.

Iniciado em 1.964, o governo militar adotou a política do desenvolvimento com segurança. Os programas incentivavam a agricultura mecanizada, facilitando aos agricultores e pecuaristas acesso ao crédito, com financiamentos para aquisição de terras, para o desmatamento, para a compra de sementes e de máquinas agrícolas. Atraíram, também, pequenos proprietários que diante da propaganda oficial, venderam suas terras em seus estados de origem e aqui adquiriram propriedades mais extensas a preços mais baixos.

Em 1.974, o presidente Ernesto Geisel criou o II Plano Nacional de Desenvolvimento, o qual previa a divisão territorial de Mato Grosso e de Goiás para a criação dos estados de Mato Grosso do Sul e de Tocantins. Políticos sul-mato-grossenses defensores da emancipação aproximaram-se dos militares, o que lhes permitiu tomar parte de comissões que estudavam as potencialidades econômicas e as dificuldades políticas.

Depois de vários estudos, negociações e acordos, o presidente Ernesto Geisel assinou a Lei Complementar nº 31, em 11 de outubro de 1977. A lei não passou por uma consulta popular, mas a população sul-mato-grossense aceitou e festejou sua aprovação.

Em 31 de março de 1.978, o presidente Geisel nomeou o engenheiro Harry Amorim Costa como governador de Mato Grosso do Sul. A instalação do estado de Mato Grosso do Sul ocorreu em 1º de janeiro de 1979, com a presença de Geisel, dos ministros Armando Falcão (da Justiça) e Rangel Reis (do Interior), do desembargador Ataíde Monteiro da Silva e outras autoridades. Tomaram posse o governador, 18 deputados constituintes e quatro desembargadores.

Em 13 de junho de 1.979 foi promulgada a Constituição Estadual. Entretanto, Harry Amorim Costa foi exonerado em 12 de junho de 1.979. Em 29 do mesmo mês foi nomeado Marcelo Miranda, que permanece no governo até 30 de outubro de 1.980. Pedro Pedrossian toma posse em 6 de novembro de 1.980 e exerce o cargo até 15 de março de 1.983, quando assume Wilson Barbosa Martins, primeiro governador eleito de Mato Grosso do Sul.

Nerival Rodrigues – Pantanal

 

Fonte: Profª Drª Alisolete Antonia dos Santos Weingartner (Portal ms.gov)

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