É comum, em Aquidauana, deparar-se com situações deploráveis de desrespeito com a floresta urbana, não faltam exemplos dos sinais da falta de planejamento, do manejo incorreto e do descuido com as árvores no perímetro urbano da cidade situada na região pantaneira de Mato Grosso do Sul.

A baixa diversidade de espécies que compõem a floresta urbana, evidenciada pela utilização quase integral de espécies introduzidas, em especial o oiti (Licania sp.), as queimadas e outros danos como a poda Radical (com R maiúsculo pela radicalidade) e desordenada, resultando em uma floresta urbana pobre, feia e pouco efetiva no fornecimento de recursos naturais.

Árvore sendo mutilada na região do Santa Terezinha

Mutilações; Quedas; Conflitos com edificações, sinalização de trânsito e rede elétrica; Morte e/ou apodrecimento… Estes e inúmeros outros sinais do “terrorismo” que está sendo cometido em Aquidauana estão cada vez mais frequentes, recorrentes até que hajam árvores sadias e intactas para se vandalizar e destruir. É mais comum encontrar alguém provocando queimadas ou destruindo a vegetação do que encontrar um bom cidadão que cuide, plante ou recupere parte da vegetação. É como o ditado: Muitos querem a sombra, poucos plantam as árvores!

Foto: Tarcisio Kurt Fehlauer
Árvore anelada (sem casca) na base resultando na morte pela interrupção do fluxo de seiva no floema

As redes sociais, espaços públicos, residências e todos os demais cantos da cidade tornaram-se um imenso espaço para discussão, reflexão e (re)ação dos cidadãos indignados e desapontados com a destruição da floresta de Aquidauana. Diante das altas temperaturas que devemos suportar no dia-a-dia, da falta de água que temos em plena véspera de primavera, das catástrofes naturais no mundo todo, da perda de biodiversidade e outros recursos naturais, para onde estamos indo? Para o pior. Qual é o caminho? Pois digo que o caminho é o presente, é o agora, plantando o futuro!

Não podemos adiar a discussão, reflexão e (re)ação diante da realidade, é hipocrisia reclamar do vizinho que põe fogo nas folhas se você não faz nada para que ele mude esta atitude. Dê exemplo, faça valer! Cuidar das árvores, realizar podas coerentes para conduzir as árvores ao crescimento ordenado, escolher as espécies ideais para plantar, definir os locais corretos para o plantio, conscientizar e sensibilizar as pessoas do quanto é importante zelar pelo manejo correto das árvores da cidade. O resultado é a melhoria da qualidade do ar, na redução da temperatura e ruídos, na manutenção da biodiversidade, na regulação dos recursos hídricos, na conservação dos solos entre inúmeros outros benefícios para o meio ambiente e para a sociedade.

Um Engenheiro Florestal, professor e pesquisador da UEMS, não pensou duas vezes e postou na sua página pessoal do facebook o quão indignado e desapontado fica com a maneira como são tratadas as árvores que compõem a floresta urbana de Aquidauana, expressando publicamente o seu posicionamento contra os danos causados à floresta urbana.

“Alguns dos principais benefícios das árvores urbanas são a redução do sol direto, maior conforto térmico e aumento da umidade relativa do ar. Logicamente, aqui em Aquidauana City não precisamos de nenhuma destas funções …”

-Ironiza o professor.

“Não adianta justificar pelo fato de podas serem conduzidas no final do inverno e início da primavera, pois não estamos numa região de clima subtropical onde temos as quatro estações bem definidas. E chama-se de poda de formação ou manutenção, não de um ‘quase’ abate de árvores!”

-Completa.

A exemplo do que podemos adotar como idéias no emprego de espécies florestais no meio urbano, há algumas árvores distribuídas pela cidade que encantam, perfumam e enriquecem a paisagem, como os saudosos ipês (Tabebuia spp.) e carobas (Jacaranda caroba) que expressam cores vibrantes nas suas flores, ou até os pequizeiros (Caryocar brasiliense) e Ingazeiros (Inga spp.) imensos que atraem a fauna para dentro do perímetro urbano. Junto com as árvores, as palmeiras também contribuem, a exemplo dos Buritis (Mauritia flexuosa), babaçus (Attalea ssp.), bacuris (Pradosia lutexens) e macaúbas (Acrocomia aculeata) que reúnem araras, periquitos e tucanos para se servirem fartamente. 

Para finalizar esta matéria o AquidauanaMais apresenta uma galeria de imagens capturadas pelo fotógrafo Rafael Mengual.
A imagem em destaque na galeria expõe um casal de araras vermelhas sobre um guapuruvu (Schizolobium parahyba) morto. Um retrato da dificuldade da fauna de Aquidauana em encontrar novos poleiros vivos e fontes de alimentos: as árvores!

 

A natureza pede respeito !
Propague esta ideia!

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