Ano passado, um poderoso El Niño deixou meteorologistas na expectativa de um aumento nas emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A World Meteorological Organization (WMO) divulgou um relatório nesta segunda (30/10) que confirma estas projeções, mostrando que concentrações de CO2 “aumentaram em velocidade recorde em 2016 para os maiores níveis em 800 mil anos”.

A combinação de atividades humanas e o El Niño que lançaram uma série de secas em regiões tropicais, o que limitou o sequestro de CO2 pelas plantas, causaram concentrações médias de CO2 a elevar em um ritmo recorde de 3,3 partes por milhão (ppm). Concentrações subiram para 403,3 ppm em 2016, em comparação, 2015 atingiu 400 ppm. Níveis de CO2 estão 145% acima de níveis pré-industriais, que registravam aproximadamente 280 ppm.

Ao anunciar os resultados na reunião anual sobre efeito estufa nas Nações Unidas, o secretário-geral da WMO, Petteri Taalas, alertou que sem cortes rápidos em emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa, a temperatura aumentara além de 2º Celsius até o fim do século, meta estabelecida pelo Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

“As leis da física mostram que encararemos um clima muito quente e muito mais extremo no futuro. Atualmente não existe uma varinha de condão que possa remover este CO2 da atmosfera”.

-Petteri Taalas, secretário-geral da WMO.

De acordo com o relatório, a taxa de aumento do CO2 atmosférico nos últimos 70 anos é aproximadamente 100 vezes maior que a taxa do fim da era do gelo.

“Pelo que podem nos dizer as observações diretas e indiretas, mudanças tão bruscas nos níveis atmosféricos de CO2 nunca foram vistas antes”

-afirmam os autores.

Ano passado também foi o ano mais quente já registrado desde 1880, quando registros modernos tiveram início.

A ciência concorda

Vários estudos publicados em revistas científicas peer-reviewed¹ mostram que 97 por cento ou mais dos cientistas climáticos concordam que: é extremamente provável que o clima vem aquecendo ao longo dos séculos por causa da influência humana. Além disso, a maioria das principais organizações científicas em todo o mundo têm emitido declarações públicas que endossam essa posição. O que segue abaixo é uma lista parcial dessas organizações, juntamente com links para suas declarações e uma seleção de fontes relacionadas.

Sociedades Científicas Americanas

Declarações sobre mudanças climáticas de 18 associações científicas

“Observações em todo o mundo deixam claro que a mudança climática está ocorrendo e pesquisas científicas rigorosas demonstram que os gases de efeito estufa, emitidos pelas atividades humanas, são o principal motor”. (2009) 2

American Association for the Advancement of Science

“A evidência científica é clara: a mudança climática global causada pela atividade humana está ocorrendo agora, e é uma ameaça crescente para a sociedade”. (2006) 3

American Chemical Society

“Abrangentes avaliações científicas de nossos atuais e potenciais climas futuros indicam claramente que a mudança climática é real, em grande parte atribuível às emissões de atividades humanas, e é potencialmente um problema muito sério”. (2004) 4

American Geophysical Union

“A mudança climática induzida pelo homem requer uma ação urgente. A humanidade é a principal influência sobre a mudança climática global, observada ao longo dos últimos 50 anos. Uma rápida resposta social pode diminuir significativamente os resultados negativos”. (Aprovado em 2003, revisado e reafirmado em 2007, 2012 e 2013) 5

American Medical Association

“O AMA…  apoia o resultado do quarto relatório de avaliação Intergovernmental Panel on Climate Change’s e concorda com o consenso científico de que a Terra está passando por mudanças climáticas globais adversas e que as contribuições antropogênicas são significativas”. (2013) 6

American Meteorological Society

“É claro a partir da extensa evidência científica de que a causa dominante da rápida mudança climática do último século é o aumento induzido pelo homem na quantidade de gases atmosféricos de efeito estufa, incluindo dióxido de carbono (CO²), clorofluorcarbonetos, metano e óxido nitroso”. (2012) 7

American Physical Society

“A evidência é incontestável: o aquecimento global está ocorrendo. Se não forem tomadas medidas atenuante, é provável que ocorram interrupções significativas nos sistemas físicos e ecológicos da Terra, nos sistemas sociais, na segurança e na saúde humana. Devemos reduzir as emissões de gases de efeito estufa a partir de agora”. (2007) 8

The Geological Society of America

A Geological Society of America (GSA) concorda com as avaliações da National Academies of Science (2005), da National Research Council (2006) e da Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 2007) que o clima global aumentou e que as atividades humanas – sobretudo, as emissões de gases de efeito estufa – são responsáveis pela maior parte do aquecimento desde meados dos anos 1900”. (2006; revisado em 2010) 9

Academias de Ciência

Academias internacionais: Declaração conjunta

“A mudança climática é real. Haverá sempre alguma incerteza na compreensão de um sistema tão complexo como o clima mundial. No entanto, há fortes evidências de que um aquecimento global significativo está ocorrendo. A evidência vem de medições diretas da temperatura do ar de superfície ascendente, da temperatura subterrânea dos oceanos e de fenômenos como o aumento do nível médio do mar, o deslocamento das geleiras e mudanças em muitos sistemas físicos e biológicos. É provável que a maior parte do aquecimento nas últimas décadas possa ser atribuída à atividade humana (IPCC 2001) ”. (2005, 11 academias internacionais de ciência) 10

U.S. National Academy of Sciences

“A compreensão científica das mudanças climáticas é suficientemente clara para justificar a tomada de medidas para reduzir a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera”. (2005) 11

Agências Governamentais dos Estados Unidos

U.S. Global Change Research Program

O aquecimento global dos últimos 50 anos é devido principalmente aos aumentos induzidos pelo homem em gases de aprisionamento térmico. As impressões digitais humanas também foram identificadas em muitos outros aspectos do sistema climático, incluindo mudanças no conteúdo de calor oceânico, precipitação, umidade atmosférica e gelo marinho do Ártico”. (2009, 13 agências e departamentos dos Estados Unidos)12

Órgãos Intergovernamentais

Intergovernmental Panel on Climate Change

“O aquecimento do sistema climático é inequívoco, e desde os anos de 1950, muitas das mudanças observadas são inéditas ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o oceano aqueceram, as quantidades de neve e gelo diminuíram e o nível do mar aumentou”.13

“A influência humana no sistema climático é clara e as recentes emissões antropogênicas de gases de efeito estufa são as mais altas da história. Mudanças climáticas recentes tiveram impactos generalizados sobre os sistemas humanos e naturais”. 14

Outras Fontes

Lista de organizações científicas mundiais

página seguinte lista quase 200 organizações científicas mundiais que sustentam a posição de que a mudança climática tem sido causada pela ação humana.

Agências americanas

página seguinte contém informações sobre o que as agências federais estão fazendo para reduzir os impactos das mudanças climáticas.

 


*Tecnicamente, um “consenso” é um acordo geral de opinião, mas o método científico orienta-nos para longe deste para um quadro objetivo. Na ciência, os fatos ou as observações são explicados por uma hipótese (uma indicação de uma possível explicação para algum fenômeno natural), que pode então ser testada e testada novamente até que seja confirmada (ou refutada).

À medida que os cientistas reúnem mais observações, eles constroem uma explicação e adicionam detalhes para completar a representação. Eventualmente, um grupo de hipóteses pode ser integrado e generalizado em uma teoria científica, um princípio geral que é cientificamente aceito ou um conjunto de princípios oferecidos para explicar fenômenos.

 

Fonte:Universo Racionalista / gizmodo


Bibliografia

  1. J. Cook, et al, “Consensus on consensus: a synthesis of consensus estimates on human-caused global warming,” Environmental Research Letters Vol. 11 No. 4, (13 April 2016); DOI:10.1088/1748-9326/11/4/048002

    Citação da página 6: “O número de documentos que rejeitam o AGW [Aquecimento Global Antropogênico, ou casado pelo homem] é de uma proporção baixíssima da pesquisa publicada, com a porcentagem ligeiramente decaindo ao longo do tempo. Entre os documentos que expressam uma posição favorável ao AGW, uma porcentagem esmagadora (97,2% com base em autoclassificações, 97,1% com base em classificações abstratas) endossa o consenso científico sobre o AGW”.

    J. Cook, et al, “Quantifying the consensus on anthropogenic global warming in the scientific literature,” Environmental Research Letters Vol. 8 No. 2, (15 May 2013); DOI:10.1088/1748-9326/8/2/024024

    Citação da página 3: “Entre resumos que expressaram posição favorável ao AGW, 97,1% aprovaram o consenso científico. Entre os cientistas que expressaram posição favorável ao AGW em seu resumo, 98,4% aprovaram o consenso”.

    W. R. L. Anderegg, “Expert Credibility in Climate Change,” Proceedings of the National Academy of Sciences Vol. 107 No. 27, 12107-12109 (21 June 2010); DOI: 10.1073/pnas.1003187107.

    P. T. Doran & M. K. Zimmerman, “Examining the Scientific Consensus on Climate Change,” Eos Transactions American Geophysical Union Vol. 90 Issue 3 (2009), 22; DOI: 10.1029/2009EO030002.

    N. Oreskes, “Beyond the Ivory Tower: The Scientific Consensus on Climate Change,” Science Vol. 306 no. 5702, p. 1686 (3 December 2004); DOI: 10.1126/science.1103618.

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