Se você ainda não conhece o xixá, mático, araticum ou bacaba, corre o risco de nunca conhecer. Essas são algumas das frutas do cerrado incluídas na lista da Arca do Gosto, projeto do movimento Slow Food que cataloga ingredientes e modos de preparo que estão ameaçadas de extinção no vasto e farto território brasileiro.

Ainda se tratando de cerrado, não são somente esses itens exóticos que definham diante do avanço tecnológico e urbano. Outros mais conhecidos, como pequi, cajuzinho-do-cerrado, mangaba, cumbaru, cagaita e buriti, também podem deixar de existir se não forem tomados os devidos cuidados para preservá-los.

“O pequi, por exemplo, não é plantado, nasce espontaneamente. Com o avanço das áreas urbanas, do desmatamento, é natural que ele comece a desaparecer”, explica Jean Marconi, facilitador do projeto para a região Centro-Oeste. Exemplo esse dado por Marconi é uma situação comum com espécies do cerrado, em especial as exploradas por extrativismo como o jenipapo, jatobá e guavira.


Na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul em Aquidauana (UEMS/UUAq), uma pesquisa conduzida por agrônomos e engenheiros florestais objetiva viabilizar o plantio de espécies frutíferas do cerrado através da clonagem, permitindo a antecipação da colheita e facilitando os tratos culturais. A pesquisa inédita deve solucionar alguns dos entraves comuns na produção de cumbaru, Ingá, pequi e jatobá-do-cerrado, que atualmente se restringem ao extrativismo.

A alporquia e a estaquia são os métodos de clonagem mais comumente utilizados, no entanto, são poucas as pesquisas voltadas para a propagação de espécies nativas, estudos que objetivam a propagação destas espécies são extremamente necessários para o sucesso na perpetuação de espécies de interesse comercial, ecológico e social. Aprimorar os processos de produção de mudas é essencial para o sucesso na implantação de pomares produtivos, bem como projetos de reflorestamento com espécies de interesse agronômico e que permitam a manutenção da biodiversidade. A pesquisa é financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

 

COMO A LISTA É ELABORADA

Atualmente, são 19 itens do cerrado inclusos na Arca do Gosto, 17 ingredientes (frutas, folhas e flores) e dois modos de preparo, a carne de sereno, um tipo de carne-de-sol produzida no Centro-Oeste, e a Marmelada Santa Luzia, produzida somente por moradores do quilombo Mesquita (GO).

Correm risco de sumir o cajuí (cajuzinho-do-cerrado), a baunilha-do-cerrado, a mama-cadela, a pimenta-de-macaco, o mático, a bacaba, a pêra-do-cerrado, o xixá, o araticum, o babaçu, o buriti, a cagaita, a castanha de baru, a guabiroba, o jatobá, a mangaba e o pequi.

A lista é elaborada a partir de indicações, que podem ser feitas por qualquer cidadão no site do Slow Food. Lá, há um formulário onde é necessário incluir informações botânicas, antropológicas (uso do produto ou procedimento por comunidades) e argumentar porquê o ingrediente ou modo de preparo está em extinção.

O facilitador da região entra em contato com o autor da indicação para mais informações, avalia o real risco e, se for o caso, envia o processo para o Slow Food Internacional, na Itália, que dá o parecer final. Atualmente, outros 11 produtos aguardam esse parecer. Em pouco tempo a lista deve aumentar mais ainda.

 

INTERESSE NO EXTERIOR

O catálogo do Arca do Sabor tem projeção internacional por meio da rede do Slow Food em 160 países, o que dá visibilidade ao risco desses produtos e pode motivar ações para salvá-los. Em casos mais extremos, a sede italiana do movimento concede, inclusive, verbas para potencializar atividades em defesa de produtos em extinção.

Integrante do Slow Food Cerrado, e atualmente auxiliando na tarefa de registro dos produtos indicados, Sara Campos diz que o conteúdo dessa lista é muito importante para pesquisadores de ingredientes regionais e chefs, por exemplo.

[blockquote style=”1″]Geralmente, esses ingredientes ameaçados são muito valorizados por outros países, principalmente da Europa, que têm uma consciência maior da necessidade de preservação. Recebemos muitos pedidos de informação[/blockquote]

-Sara Campos, Slow Food Cerrado.

 


Devemos valorizar a biodiversidade e respeitar o meio ambiente!

Conscientize-se, não faça queimadas, não corte árvores, não jogue lixo. Não se deve “cuspir no prato em que se come”!

Alimentação natural e um mundo ideal!
Viva o Cerrado!

 

 

Fonte: Metropoles e UEMS

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Bacharel em Engenharia Florestal e mestrando em Agronomia – Produção Vegetal pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, campus de Aquidauana (UEMS/UUAq).

Entusiasmado pelo amor à natureza, o floresteiro costuma atuar em diversas atividades que envolvem o meio ambiente e os recursos naturais, além de participar como colaborador intelectual do AquidauanaMais.

Acredita que a interferência de uma “formiga na selva de pedras”, embora pequena, pode ser positiva ao ponto de contribuir no caminhar ao desenvolvimento sustentável. Se é esse o caminho, é por ele que vamos.